Governo de Mato Grosso aciona STF contra criação de novas terras indígenas

24 horas MT - https://24horasmt.com.br/ - 21/11/2025
Governo de Mato Grosso aciona STF contra criação de novas terras indígenas

O Governo de Mato Grosso entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender os efeitos do decreto assinado pelo presidente Lula, que amplia a Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, de 46 mil para 252 mil hectares, por ser inconstitucional. O pedido foi protocolado nesta semana e está anexado na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no 87, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

Na ação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) alegou que o ato do presidente viola a Lei 14.701/2023, que estabelece o marco temporal para demarcação de terras indígenas.

"A tentativa de ampliação revela grave afronta ao princípio da legalidade, pois desconsidera o artigo 13 da nova lei, que veda de forma expressa a ampliação de terras já homologadas", diz trecho do documento.

PGE contesta marco temporal e ocupação da área

Outro ponto-chave da ação é a ausência de comprovação de ocupação indígena na nova área até 5 de outubro de 1988, que é o marco estabelecido para reconhecimento de terras tradicionais. A PGE afirmou que há registros históricos e jurídicos que comprovam que a área "foi ocupada por famílias não indígenas desde a década de 1950, com plena ciência do poder público".

"Não há vestígios materiais, registros ou presença cultural que indiquem ocupação indígena na data constitucionalmente exigida", relatou a Procuradoria ao STF, ao argumentar que o decreto ignora os critérios fixados na legislação do marco temporal.

Governo cita caos fundiário e falta de diálogo

Outro ponto de atenção apontado na ação foi o impacto social e fundiário gerado pela medida. O governo afirma que a ampliação atinge diretamente centenas de produtores e famílias com títulos legítimos, Cadastros Ambientais Rurais (CAR) ativos e, em alguns casos, decisões judiciais reconhecendo sua ocupação regular.

"A ampliação promovida por decreto desestrutura a malha fundiária da região e instaura o caos jurídico, penalizando cidadãos que sempre atuaram conforme a lei", sustenta a PGE.

A Procuradoria também criticou a ausência de diálogo com o Estado e o município de Brasnorte, que são diretamente afetados pelo decreto. "Não houve qualquer consulta ou notificação formal aos entes federativos diretamente afetados, o que compromete a legitimidade do processo e afronta o pacto federativo", pontuou.

De acordo com o governador Mauro Mendes, a ação não questiona os direitos dos povos indígenas, mas sim o que o governo considera desrespeito à legislação e às garantias fundamentais. "Não aceitaremos que um decreto presidencial, editado de forma açodada e sem respaldo legal, prejudique quem produz e vive há décadas nessas regiões", declarou o governador.

Atualmente, Mato Grosso possui 73 terras indígenas demarcadas, que somam mais de 15 milhões de hectares, o equivalente a 16% de todo o território estadual. "Defendemos o meio ambiente, respeitamos as comunidades indígenas, mas exigimos que tudo seja feito dentro da lei. A Constituição não pode ser ignorada para atender interesses ideológicos", concluiu o governador.

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PIB:Oeste do Mato Grosso

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